23 de dez de 2010

Na minha bicicleta

Gira o pedal
Gira a roda
Gira o pensamento
Gira o mundo e o tempo
Na marcha suave do vento




Continuamos pedalando juntos em 2011. Até lá!        

(ST)

22 de dez de 2010

Quase

Ando a pé pela minha rua e vejo doismiledez adormecendo no silêncio do bairro, na escola fechada, na praça vazia, na plaquinha que avisa a data de reabertura do petshop. Três quarteirões adiante, porém, a paisagem muda: tudo continua agitado em meio ao trânsito caótico, filas de supermercado e árvores festeiras que teimam em passar a noite em claro. O ano vai chegando ao final nesse estado de vigília parecido com o que a gente fica quando está quase dormindo e desperta, num sobressalto, porque lembra de alguma coisa importante. Mas, aqui e ali, doismiledez já cochila, prestes a cair num sono profundo.

(ST)

20 de dez de 2010

De volta pro futuro

A bruxa Creuza andava sumida há um tempão e foi com grande alegria que recebi notícias esses dias -- ela acaba de voltar de uma viagem sensacional que já virou história e estreia no site Brincando na Rede na primeira semana de janeiro, com ilustrações da Graça Lima. Ai, que saudades!         

(ST)

16 de dez de 2010

15 de dez de 2010

Bichos (*)

A pressa é um pernilongo agitado. Fica rodeando com aquele zunzunzum irritante, não disfarça a presença nem a intenção: só quer mesmo é sugar uns goles do nosso tempo-sangue de canudinho. A preocupação tem mais a ver com um mosquito chato. O danado não pica, mas fica lá, incômodo e feio, esperando um terromoto de braço ou uma ventania de mão pra sair de perto. Quando a preocupação cheira a desconfiança, a gente não vê, mas tem certeza de que tem pulga atrás da orelha. E quando ela salta, a coceira se espalha por toda parte. É diferente da dor forte de uma ferroada de abelha -- essa vai fundo e direto ao ponto. Machuca, arde e não para de latejar enquanto o ferrão não sai. Já a tristeza é uma aranha silenciosa, dessas que chegam de mansinho e vão tecendo uma teia invisível, com um emaranhado de nós que prendem na garganta e apertam o peito da gente.

(*) este texto voltou porque entraram outros bichos nessa história.

(ST)

14 de dez de 2010

Viajar

Pra escutar certos pensamentos
Tem que parar por uns momentos
Até sentir que a cabeça flutua
A caminho do mundo da Lua

...
O texto não é novo, só voltou pra fazer companhia pra essa imagem linda (e ainda com cheiro de tinta fresquinha) da May Shuravel.    

(ST)

13 de dez de 2010

Concorrência na família

Meu sobrinho Manoel emprestou o livro, mas avisou:  "não é pra ler à noite!". Ele e mais 28 colegas da 5ª Série capricharam no projeto de final de ano e inventaram histórias de arrepiar, com direito a suspense no cemitério, terror em porões abandonados, mistério na biblioteca e muito susto. Pra me preparar, o Manoel já foi contando o enredo da história que escreveu-- o fantasma de uma mulher que aparece no espelho da sua antiga penteadeira. Adorei o desfecho e gostei mais ainda do clima e das descrições que ele faz até o momento em que... Bem, o conto é longo, mas ele prometeu digitar tudo nas férias e postar no blog dele. Assim que a história estiver no ar, eu aviso aqui, fazendo a mesma recomendação: ler antes de dormir, nem pensar!

(ST)        

Fim de ano

Tenho corrido como o Clovis pra dar conta de dezembro.
...
Pra ver outras tiras geniais do personagem, clique aqui.

(ST)   

10 de dez de 2010

Dois jeitos de sacudir a imaginação

Dias atrás visitei Alice no País no iPad de uma amiga. Confesso que foi difícil desgrudar do brinquedo -- a história corre e tudo voa, estica, encolhe, pula conforme a gente vai chacoalhando a tela. Não sei dizer se é gostoso ler desse jeito porque não li quase nada. Eu estava mais interessada na "coisa em si' e ficava virando as páginas rapidinho pra descobrir a próxima atração. Mas acho que a nova tecnologia pode levar muita gente a descobrir as maravilhas da Alice.
Hoje, abri o meu velhíssimo "Reinações de Narizinho" -- uma edição de 1952, da Brasiliense -- e revi esse "Mapa do Mundo das Maravilhas" desenhado por André Le Blanc. Fiquei pensando que, também aqui, a gente quer virar logo a página pra saber como a aventura continua. E isso só acontece quando a história é boa, tanto faz se ela é contada pelo iPad ou vem embrulhada no papel.

(ST)

9 de dez de 2010

O encontro

Já estou acostumada a trabalhar olhando pras maritacas, sanhaços, bem-te-vis, sabiás e tantos outros que aparecem todos os dias. O bufê de frutas da minha janela é um sucesso e certamente está sendo divulgado de bico em bico porque a freguesia só aumenta. Enquanto o prato está cheio, a casa fica lotada, a turma não sossega antes que tudo vire casca e caroço. São interesseiros e nem escondem: aparecem pra comer e logo batem asas. Alguns até dão um tempinho na plataforma, mas eu nunca tinha visto nada parecido com o que aconteceu ontem. Esses dois sabiás chegaram juntos, não tocaram nas frutas e passaram um tempão assim, olho no olho, no maior clima. De vez em quando, o da esquerda soltava um piozinho sem parar de encarar o outro, ou melhor, a outra. Não entendo nada de pássaros, mas tive certeza de que era um casal.  Depois de um desses piozinhos dele, ela respondeu com um pio tímido e virou o pescoço, como se estivesse fazendo charme. Cheguei bem perto, fiz um monte de fotos e eles continuaram desse jeito, na deles, sem dar a mínima nem pra mim nem pras bananas.                    
 Acho que a cantada do sabiá colou porque os dois sairam juntinhos, voando na mesma direção.

(ST)

7 de dez de 2010

O pulo do gato

                                                             New Yorker Cartoons
É por isso que eles nunca erram.

6 de dez de 2010

Tatuagem

Tenho alguns desenhos, um ou outro bilhetinho, mas não guardei tantos registros assim da vida escolar do meu filho. Agora, que essa fase está quase terminando, pedi pra ficar com um dos seus cadernos, o de história. As páginas estão totalmente ocupadas por anotações, gráficos, referências, flechas indicando conexões. A um ano do vestibular, ele não tem muitas dúvidas sobre o que pretende fazer, mas é claro que, até lá, as coisas podem mudar. De todo modo, guardar a memória dessas aulas tem a ver com outra história -- a de uma paixão tatuada a lápis nas páginas de um caderno.

(ST)      

3 de dez de 2010

O tempo das coisas

Acabei de ler “Ismael e Chopin”, um infantil do português Miguel Sousa Tavares que ainda não foi lançado aqui. Comprei o livro em julho, quando estive em Lisboa, mas ele saiu da mala e foi direto pra fila de espera do meu criado mudo. A história do coelho Ismael, o filho número 29 de uma família de 52 irmãos, é uma fábula linda sobre crescer e aprender tudo, inclusive a esperar, pois “todas as coisas têm o seu tempo”. Por uma dessas sincronicidades que fazem a gente pensar, o livro chegou no topo da minha pilha num momento em que eu estava matutando justamente sobre isso, chateada, porque o ano passou tão rápido (e não é sempre assim?) sem dar tempo pra que acontecesse tudo o que eu esperava. 
O coelho Ismael me fez lembrar que o tempo das coisas não bate com o ritmo da gente e mais: colocar o desejo nesse compasso é uma arte que se aprende... com o tempo. O melhor é chegar no final dessa história com a certeza de que sempre vale a pena esperar. 
(ST)               

2 de dez de 2010

Dezembro

Tá chegando a hora de providenciar um novo calendário. Já estou com saudade de 2010 e dos gatos do Andy Warhol na minha mesa.    

(ST)